Por Márcio André Braga.
E aí colegas de escalada. Essa história começa numa sexta-feira, dia 6 de julho. Eu já estava pensando onde ia escalar no sábado, quando a minha noiva, a Sandrinha, me “comunicou” que contava comigo para passar o final de semana na casa da mãe dela em Antônio Prado. A essa altura do campeonato eu já contava sábado e domingo perdidos. No entanto, quando chegamos lá, eu com uma cara que dava para amarrar uma boiada inteira, minha cunhada salvou a pátria. Esta flor de pessoa que é minha cunhada, me falou de um lugar que havia perto dali, chamado Cascatas da Usina, que é um barato.
No local, tem duas cascatas de mais ou menos uns 40 a 50 metros, sendo que uma delas tem um platô no meio, a mais ou menos uns 25 metros. Tanto em uma como em outra, tem paredes nas laterais que são perfeitamente escaláveis, só esperando para serem conquistadas. Na cascata maior, a parede esquerda forma um negativo no final. Além das cascatas, existem no local mais três complexos de pedras. O mais alto deles, fica do outro lado do rio e deve ter cerce de uns 25 a 30 metros. Eu ainda não estive na base dessa pedra, mas ela aparenta ter ótimas fendas para escalada com móveis. O complexo menor, deve ter cerca de 8 metros de altura, saindo de um super negativo, muito parecido com a saída da Utensílios da Igreja, na Gruta, só que com toneladas de pedras soltas (justamente porque ninguém nunca tentou escalar ali). O complexo intermediário tem por volta de 12 metros de altura, com duas fendas boas para móveis e as agarras são um festival de regletes.
O local também oferece uma boa área para acampar, com alguma estrutura, que foi instalada pela prefeitura de Antônio Prado.
Com tanto bate papo, quase esqueci de falar da via. Depois deste reconhecimento, no início de agosto, eu e o Rudi, voltamos ao local decididos a deixar uma via desenhada na rocha. Chegamos e logo optamos por um trecho com cerca de 13 metros de altura, onde montamos de cara um top rope. Escalamos a parede, tiramos metros de musgos e limo e definimos o local dos primeiros grampos. Infelizmente nós tínhamos partido muito tarde para a conquista, e a noite nos pegou antes de batermos os primeiros grampos.
No final de agosto nós retornamos para terminar a via, desta vez foram além do Rudi e eu, o Marcos, a Lu e o Lucas. Os três entraram na via ainda em top rope, e passamos o dia inteiro escalando e acabamos pondo um único grampo na via.
No dia 7 de setembro, apesar do lento ritmo da conquista, eu e o Rudi retornamos as Cascatas da Usina, “encarnados” no objetivo de acabar a via, nem que fosse na base da lanterna. Não deu outra, batemos o último grampo lá pelas 6 da tarde e a primeira guiada da via foi quase com “visão noturna”, mas enfim estava morta a cobra. A via ficou batizada como a Prima Del Prado, e fica logo no início da trilha de acesso as cascatas. O contorno original da via foi graduado pelo Marcos com um 5b, mas uma placa de pedra oca nos obrigou a desviar as proteções, o que subiu a graduação para um 5c provável 6. Para escalar a Prima, são necessárias 5 costuras e paciência para encarar agarras onde normalmente não cabem mais do que dois ou três dedos.
Márcio André Braga
Publicado no ano de 2002 no Informativo Paredão 12.